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Vender muito mais que produtos, a marca deve vender um conceito, uma idéia e identificação com o público. Em um mercado onde a repetição de produtos é o carro-chefe, é preciso ter uma marca forte, de peso para se sustentar e alcançar vendas altas e sucesso no mundo todo. Para isso acontecer a publicidade entra com força, focando o conceito de cada marca e seus benefícios, criando assim marcas globais.
A maior delas hoje é o Google, que vale em torno de US$86 bilhões. Muito dinheiro para uma idéia que deu certo. O Google se expande e abocanha novas empresas digitais, uma forma de se fortalecer seu nome, seus negócios e se expandir cada vez mais.
Muito mais do que marcas, o que se nota é o poder corporativo por trás dessas grandes empresas. Esse poder dita as regras do mercado, de como os negócios devem girar e também como a sociedade deve se comportar, principalmente em relação às formas de trabalho.
Como boa parte dessas marcas está ligada à mídia, precisamos nos atentar para esses novos paradigmas, para as mudanças e conseqüências em nossas vidas. O consumo exacerbado e o poder das marcas conseguem sim influenciar nosso comportamento, contudo, ainda é possível seguir nossos desejos e opiniões.

Uma nação de consumidores, não de cidadãos. Isso é o que prega a Cultura MC World, em que a cultura norte-ameriacana invade todos os Países e está centrada no poder da informação e das tecnologias. O conceito pode ser aplicado ainda durante a infância. A publicidade está cada vez mais focada nas crianças, são novos produtos, anúncios e comerciais feitos na medida para conquistar os pequenos e deixar os pais com dor de cabeça.
A situação está tão agravada que o governo precisou intervir e já se fala em proibição de propaganda direta de produtos infantis. Não é a toa, o mercado infantil movimenta bilhões e se torna cada vez mais lucrativo. Entretanto, é preciso levar em conta que a publicidade atinge milhões de pessoas em um País, e no Brasil as desigualdades impedem que todos os pequenos tenham os produtos anunciados ao seu alcance.
Muito mais que propaganda, a Cultura MC World instiga um novo estilo de vida, no qual consumir, TER é o que faz a pessoa ser reconhecida, respeitada e inserida no meio social. O mercado abrange todas as áreas, da saúde ao transporte, passando por educação, transporte, moradia, cultura e educação.
Desse modo, vamos nos tornando homo consumans, ou seja, o home é ser humano enquanto comsumidor. É uma triste maneira de notar que cada vez mais estamos sendo mais consumidos do que consumidores. Tudo é imposto para a sociedade, o carro da moda, a cor e estampa das roupas, o novo modelo de geladeira, a marca de tênis, a caneta de status, a comida de qualidade, enfim até o produto mais simples recebe tratamento especial da publicidade.
O papel da mídia para a divulgação e manutenção da Cultura MC World é determinante e o que podemos perceber é o uso dos meios de comunicação efetivamente para sua propagação. Não há conscientização da população ou formas alternativas para se desviar dessa cultura massante e dominante. Se as crianças já crescem com o conceito de TER e não SER, pode ficar bem difícil mudar a idéia de que cada vez mais somos vistos e tratados como consumidores, não como cidadãos.

As mídias digitais chegaram para ocupar um espaço amplo na comunicação mundial. As sociedades já se acostumaram às mudanças, como ler o jornal pela internet ao invés de folheá-lo tomando café da manha. Na realidade, o café da manhã agora é tomado ao lado de um notebook, é através da tecnologia que as informações chegam às pessoas. A sociedade se renovou e aceitou as mudanças, mas e a mídia? Ela conseguiu se transformar e se adequar às novas mídias digitais?
Segundo Caio Túlio Costa, a “velha mídia” ainda não conhece ou não sabe usar a “nova mídia”. A nova mídia acaba sendo um receptáculo dos diversos conteúdos da antiga mídia, se tornando apenas um produto transposto e replicado.
Todas as novas possibilidades da mídia digital são jogadas de lado pelo mau uso de suas ferramentas e características. Um exemplo clássico são os sites noticiosos. A mesma formula usada para escrever a matéria impressa é utilizada no meio digital. A TV também não conseguiu se adequar e criar alternativas instigantes para os usuários. O mesmo vídeo usado no telejornal é reaproveitado na internet, nada é feito a mais. Não há, por exemplo, um roteiro multimídia, com vídeo, fotos, texto, som e infográficos conversando entre si, complementando o conteúdo e indo além da simples notícia, como Manuel Castells sugeriu em A Galáxia da Internet (2001).
Outra inquietação é o uso da internet apenas como meio de divulgação e não como meio criativo. Não há produtos específicos criados para circular na rede, com uma linguagem audiovisual própria e diferenciada. Como podemos considerar a internet um produto ainda inacabado e em constante transformação, é possível pensar que a “velha mídia” conseguirá usar de forma eficiente e inovadora toda a tecnologia e possibilidades que o meio digital trouxe e trará.

Maquiavel nunca deve ter imaginado que o seu Príncipe um dia poderia se tornar algo que extrapolasse a figura humana. O príncipe não é mais um homem ou um partido político, o novo príncipe está presente em todos os cantos do mundo e consegue comandar nações como nenhum outro. Que príncipe poderoso é esse? Mais uma vez estou falando da mídia, o Príncipe Eletrônico.
Esse conceito foi introduzido por Octávio Ianni, que afirma que o organizador político é a mídia, que “registra e interpreta, seleciona e enfatiza, esquece e sataniza o que poderia ser a realidade e o imaginário.
A mídia, segundo Ianni, tem o poder de manipular e influenciar intensamente a vida das pessoas, ditando seu consumo, suas opiniões, seu nível de informação e o que a sociedade deve ou não conhecer, tudo, claro, segundo seus interesses. É uma maneira de expressar principalmente a visão prevalecente dos blocos de poder.
Certamente a detenção do poder nas mãos de poucos é ruim porque restringe a gama de informação e acesso que toda a sociedade poderia ter. Se esse poder é da mídia, deveríamos ficar felizes, já que a capacidade de fiscalização e divulgação de dados é maior, entretanto, essa felicidade não existe. A mídia consegue com facilidade ainda maior que os antigos príncipes manipular as informações e usar sua influência e poder para alcançar ainda mais seus objetivos. Dessa maneira não cumpre seu papel para com a sociedade, mas consegue lucrar muito e se tornar importante em todas as esferas do poder.

Um dos grandes exemplos de sites produzidos para agilizar e facilitar a navegação é o joost.com, uma espécie de TV pela internet, com shows, desenhos e programas. Para se adequar à modernidade líquida, descrita por Bauman, os criadores do Joost se utilizaram de um recurso difícil de ser concebido, mas que traz eficiência e universalidade de compreensão, o ícone.
Todos os comandos do site são feitos através de ícones, que são capazes de indicar uma mensagem completa para usuários de todo o mundo. A universalidade dos símbolos é uma característica que torna o ícone uma ferramenta importante e que pode se tornar padrão nas interfaces digitais.